Primeiras impressões: EUA

Todo aquele drama de despedidas, lágrimas e abraços apertados fazia muito sentido, naquela época, quando eu não imaginava o quão rápido esses 6 meses iam passar. E no final das contas, eu percebi que a pior das despedidas é a de volta pra “casa”, porque de um certo modo, você fez daquele lugar sua casa também. Voltar, ao contrário do que muitos pensam, é mais difícil do que ir.

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(foto: Giovana Brito)
Dia 28 de dezembro, 2013

Sorriso no rosto e coração apertado. Minha família estava embarcando comigo, o que de certo modo me tranquilizava. Mas de todo jeito, apesar de não querer assumir, por um momento me pareceu loucura largar aquela vida com as pessoas que eu mais amava no mundo. Iamos passar o réveillon juntos e dia 4 de janeiro eles iriam me levar para o dormitório. Já no avião, li algumas das cartinhas que recebi, e tudo aquilo ainda não fazia muito sentido para mim, a ficha não havia caído. Alguns dias se passaram e chegou o tão esperado momento, em que eu ia conhecer o dormitório. Fui muito bem recebida pela minha Dorm Parent, Miss Candice, quem ficou encarregada de cuidar de mim pelo resto do semestre. Tive muita sorte, afinal ela era a mais legal de todas. Sempre preocupada com meu bem estar, notas e com minha relação com meus novos amigos. Fiquei sabendo que ia dividir quarto com uma chinesa e com uma espanhola, que ainda não tinham voltado das férias. Já havia algumas fotos na “parte” delas do quarto, o que me deixou ainda mais ansiosa para conhecê-las. A chinesa, Yumi e a espanhola, Sofia, que se tornou uma das minhas melhores amigas, estudavam lá há 6 meses. O quarto era pequeno, o que de primeira me assustou um pouco, mas não tanto quanto o guarda-roupa; só tinha uma porta, duas prateleiras e uma parte superior que servia de cofre.

Dia 6 de janeiro, 2013
Fui comprar o uniforme do colégio e conheci a primeira brasileira, Amanda, que desde o primeiro dia me pareceu um rosto amigo. Dormi no dormitório pela primeira vez, ainda estava sem acreditar em tudo que estava acontecendo. Meus pais ainda estavam em Miami, e iriam me encontrar no outro final de semana para nos despedirmos. Na segunda-feira, terça-feira e quarta-feira, fizemos vários testes e foram selecionadas nossas aulas, separadas por nível de inglês. Fiquei com história, inglês, teatro, coral, química, matemática e personal fitness. Logo no primeiro dia, pedi para ter aula de tênis no lugar de coral, mas como sou um 0 a esquerda com esportes, não teve jeito. Tive que trocar de aula depois de mais ou menos um mês sem conseguir acertar uma bola dentro da área do adversário (e com uma média de 100 bolas arremessadas para fora da quadra). Foi quando entrei na aula de dança, onde tive a oportunidade de me aproximar de uma das minhas melhores amigas, Maria Eduarda (ou somente, “a” Duda). Personal fitness também não rendeu muito, o professor, que me chamava (lê-se, GRITAVA) de “heartbreaker”, o que me fazia morrer de vergonha, me confundia com Gabriela Pugliesi (quase iguais, só que um pouco diferentes né?!) e me colocava pra correr 4/5 vezes ao redor do campo de futebol, como se fosse legal correr no frio (pior ainda foi quando começou a esquentar). Não me perguntem quantos quilômetros tinha a pista de corrida, mas era o suficiente para eu morrer de cansaço (um pouco dramática, talvez). Então troquei a aula de personal fitness por Artes. A professora era um amor, e me enchia de trabalhos extras, já que eu adorava fazê-los.

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(Meu trabalho de artes)
O intercâmbio estava só começando, ainda ia passar por poucas e boas, me decepcionar com várias coisas, conhecer muita gente, e viver momentos inesquecíveis. Afinal, nem tudo na vida são flores. Em todo intercâmbio, vai ter um momento que tudo vai parecer errado, que a saudade vai apertar e você vai até pensar em voltar pro Brasil. Nem tudo sai como planejado, algumas expectativas, as vezes, não passam de meras expectativas. Muitas pessoas veem o intercâmbio como uma forma de fugir dos problemas. Isso acontece, na maioria das vezes, porque elas se apegam aquela vidinha perfeita que acompanham no Instagram/Facebook. A alma da internet é isso, mostrar sempre as coisas boas, ninguém ali quer encher o “feed” com momentos ruins. Mas na vida, todo mundo tem momentos difíceis, e no intercâmbio não vai ser diferente. Só que lá, você tem a oportunidade de começar do zero, de se conhecer melhor e aprender a lidar com as coisas de uma maneira diferente. Você cresce interiormente numa proporção que só quem foi sabe, e é essa uma das maiores conquistas. Por esse motivo e outros, intercâmbio é a melhor fase da sua vida.
E vai muito além de fotos postadas nas redes sociais…

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