No BUS STOP com: Liana Soares

Um dia enquanto lia um blog ou outro sobre viagens, me deparei com o Ela é americana, que logo me chamou atenção!

Li vários posts interessantes sobre como é morar na Suiça, viagens pela Europa e muitas curiosidades sobre a vida local.

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Localização: Thun

Liana, autora do blog, nasceu no Rio de Janeiro, e até morou em terras Nordestinas, mas desde 2009 (7 anos!) mora na Suiça. Por seu blog fugir do convencional (diário de intercâmbio), tive a ideia de fazer um No BUS STOP com ela.

Afinal, Liana foi muito além de um simples intercâmbio de alguns meses. Fez as malas e foi atrás dos seus sonhos lá na Suiça! Hoje ela trabalha, viaja (muito) e é mãe. Quem ai também está curioso para saber mais sobre sua mudança para Suiça?

1. O que te fez largar tudo aqui no Brasil e ir morar na Suiça? Quais foram as maiores dificuldades?

Eu sempre gostei de idiomas e de desafios. Quando estive na Europa pela primeira vez numa viagem em 2004, coloquei na minha cabeça que queria voltar para morar por minha conta própria. Eu estudava Alemão na época e meu objetivo era conseguir um emprego na Alemanha. Terminou sendo Suíça. Além da minha motivação natural, eu estava desmotivada com a vida no Brasil, qualidade de vida, falta de segurança, tinha sido assaltada. Então estava 100% disposta pro que aparecesse. Não foi fácil, mas consegui um emprego na minha área aqui. O choque cultural já era esperado mas sem dúvida foi uma grande experiência (ainda é) e a maior dificuldade também. O dia a dia em outro idioma, outra cultura, outras regras que você não conhece bem, esse sim é o maior desafio. Mais até que o próprio trabalho em si.

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Localização: Rheinfelden

2. Comparando o custo e qualidade de vida aí e aqui no Brasil, o que mais te surpreendeu?

Como realmente a qualidade de vida faz diferença na minha vida. A partir do momento que eu comecei a me acostumar com essa qualidade de vida que tenho aqui, vi o quanto me tornei mais tranquila, mais satisfeita com a vida, e o quanto aquela inquietação que me afobava no Brasil enfim se aquietou. Quanto ao custo, realmente aqui na Suíça é outra perspectiva. O que no Brasil é natural e óbvio como frutas “exóticas” e produtos nacionais, aqui esses são os importados. Porém eu cresci tomando guaraná, comendo pão de queijo, comendo mamão, e aqui tenho que pagar o triplo pra ter esses produtos. “

3. Quais foram as primeiras impressões ao chegar na Suiça e o que mudou depois de um tempo morando aí?

“As primeiras impressões na Suíça foram de um país extremamente organizado, limpo, severo nas leis e onde o chique e elegante é ser natural, simples. Quebrei vários pré-conceitos, aprendi coisas que não cabem nem nessa entrevista. Eu me deslumbrei com a Suíça, as paisagens, as montanhas, e ainda continuo me deslumbrando aliás. O que mudou não foi isso, aliás acho que esse deslumbramento nunca vai mudar. O que mudou foram outras coisas, eu mudei, e mudei também a visão do país, da cultura, que ao chegar aqui era muito curta, restrita, eu não sabia de quase nada da vida aqui. E ao viver aqui aprendi o jeito de viver aqui e aí sim, conhecendo mais, a gente muda um pouco a opinião, e por outro lado, termina adquirindo alguns hábitos suíços sem perceber, como entrar em casa sem sapatos, desejar “bom apetite” antes de comer, etc.

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Localização: Zürich

A Suíça é lindíssima, sem dúvida. Amo morar aqui. Mas como todo país tem seus defeitos, e esses eu fui enxergando ao longo do tempo. Fiquei muito feliz de conseguir enxergar o lado ruim da Suíça, pra não achar que aqui é o melhor lugar do mundo e poder pesar os dois lados. Alguns fatores que eu não enxergava antes aqui na vida na Suíça e que hoje eu os enxergo são por exemplo: o preconceito e racismo, a opinião sobre o inverno, frio e falta de sol, a questão do suicídio e a frieza das pessoas. 

4. Você já se sentia independente ao tomar a decisão de morar fora, ou acha que ganhou essa independência com o tempo?

Eu já me sentia muuuuitoooo independente! hahahaha. Bom, eu já morava sozinha em Recife há 9 anos e meio quando vim pra Suíça em 2009. Já tinha feito intercâmbio nos EUA. Ou seja, eu sabia me virar em algumas situações. Claro que “se virar” no Brasil “é fácil” com tudo no seu idioma e com pessoas que agem da mesma forma que você e que a cultura e as leis são naturais pra você. Se virar em um lugar totalmente diferente é outro patamar de independência, então hoje, com quase 7 anos de Suíça, e ainda com um filho pra criar, me considero uma mulher muito safa!
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Liana e seu filho Edi em Rapperswil

5. Quais são os conselhos que você daria para quem também quer largar tudo e ir ganhar a vida mundo afora?

“Acho que é fundamental não agir por impulso. Sair do Brasil não é a resolução dos problemas, e não é todo mundo que tá preparado pra encarar tamanho desafio não. Acredito que mudar de país (pra sempre) é mudar de vida, estar disposto a aceitar muita coisa, mudar seu estilo de vida. No meu caso, eu planejei minha vinda por anos, e era realmente o que eu precisava. Não planejo sair daqui por enquanto e não trocaria minha experiência por nada nesse mundo. O quanto aprendi aqui nenhuma escola ensina. Sem dúvida é uma experiência única e incrível. Mesmo que seja uma estadia temporária, é importante pesar tudo tudo tudo. Todos os fatores que pesam na sua vida no Brasil e imaginar como eles funcionariam fora.

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Localização: Château de Chillon, Lago Genebra


Pesquisar muito, ler blogs, tem muito conteúdo bom por aí. E no fundo, só você vai sentir se é realmente isso. Se for, vai fundo.

E ai? Também ficou com vontade de largar tudo e ir ganhar a vida em outro lugar? Corre pra dar uma lidinha no Ela é Americana, que contém ainda mais informações sobre como foi todo o processo de ida, adaptação e muito mais!

E aqui vão meus agradecimentos, mais uma vez, a Liana, por ter topado fazer essa entrevista e contar um pouco mais sobre sua vida de maneira tão aberta e espontânea!

Até a próxima.

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No BUS STOP com: João Barbosa

IMG_9737 João Barbosa, nasceu dia 5 de agosto de 1997, mora em Recife e cursa administração.

Conheci o João quando ainda éramos pequenos, eu devia ter uns 4 ou 5 anos. E estudávamos juntos desde então até que ele passou no vestibular da faculdade que queria e foi viver sua vida de universitário.

Temos muitas coisas em comum. E entre elas, o amor por viajar! Entre uma conversa e outra, compartilhamos histórias dos intercâmbios, posts aleatórios sobre viagens no facebook, e até mesmo planos de fazer trabalhos voluntários mundo afora. Além disso, temos em comum também o fato de que começamos a andar com nossas próprias pernas ainda bem cedo; ele com 13, e eu com 15. Ambos tendo a Inglaterra, mais especificamente Cambridge, como destino. E João não parou por aí, ainda tem na bagagem intercâmbios em outros dois lugares: Vancouver e Salamanca. Histórias para contar é o que não falta!

1. Com quantos anos você começou sua vida como intercambista? Qual lugar escolheu e porque?

“Então, comecei minha vida de intercambista quando tinha 13 anos. Pra minha família foi complicado porque eu era muito novo, mas com um pouco de insistência acabou funcionando e levei junto comigo 2 amigos de Recife.  Fiz um curso de férias de 1 mês em Cambridge, na Inglaterra, que no final passava uma semana em Paris. Ficávamos hospedados na própria escola, em quartos de 4 pessoas.

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Escolhi Cambridge por vários motivos, entre eles o fato de gostar muito da Inglaterra, da curiosidade de conhecer uma cidade universitária e famosa por seus alunos e antigos moradores (Isaac Newton e Darwin), e de oferecer um curso de férias que me pareceu interessante, animado e onde eu poderia aperfeiçoar meu inglês. Antes de embarcar eu estava bem nervoso, nunca tinha passado tanto tempo longe da minha família e ainda mais fora do Brasil, mas como eu gosto de viajar lá fui eu. A experiência foi a melhor possível, preservo os grandes amigos que fiz, conheci vários lugares interessantes, abri minha mente pra o mundo, melhorei (e muito!) meu inglês e aprendi a me virar sozinho diante dos obstáculos que inevitavelmente surgem.”

2. O que mais valeu a pena no intercâmbio para o Canadá?

“Com 15 anos, no ensino médio, resolvi junto com a minha família que passaria 5 meses fazendo um programa de High School no Canadá. Fui pra Vancouver, na costa oeste, uma cidade moderna, grande e MUITO cosmopolita. Escolhi Vancouver por falar apenas inglês (e não francês, como outras cidades do Canadá), por ser segura e bem estruturada, e por não fazer tanto frio como cidades da costa leste (Montreal e Toronto). Fiquei em uma casa de família, que me acolheu super bem. O Canadá superou minhas expectativas, tudo funciona, todos os tipos de gente e de todas as partes do mundo convivem em harmonia e as cidades são totalmente conectadas com a natureza, vários parques, estações de ski, praias e etc.

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Como já era um pouco mais velho pude aproveitar a experiência de um jeito diferente, agora eu estava mais livre e pude fazer algumas viagens sozinho  (Whistler, Rocky Mountains). A saudade era grande da família, mas a vontade de ficar era maior. O Canadá me ensinou muita coisa e me fez crescer bastante como pessoa, tinha que me virar sozinho 100% do tempo, e a experiência foi inesquecível, fiz amigos do mundo todo que mantenho contato até hoje.”

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3. Salamanca, a cidade dourada.

  • Custo de vida: “Morei por 3 meses em Salamanca, aos 18 anos, fazendo um curso de espanhol. A cidade me surpreendeu muito, a quantidade de jovens estudantes e a beleza da cidade foram as coisas que  mais me chamaram a atenção. O custo de vida na cidade é relativamente baixo, visto que não é uma cidade grande e cara como Madrid e Barcelona. Comida no geral é com certeza mais barato do que no Brasil, porém a diversidade não é a mesma.”

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  • Vida noturna: “A vida noturna da cidade é mais do que animada, as ruas ficam lotadas de pessoas, com vários bares e boates espalhados por toda a cidade (os melhores ficam no centro, perto da Plaza Mayor). O preço da vida noturna é extremamente barato, não precisa pagar para entrar em boates e bares, e as bebidas no geral são muito baratas, um chupito (como são chamados os shots) giram em torno de 0,50 euros. Todas as quartas um bar famoso fazia uma festa OpenBar por apenas 4, repito, 4 EUROS! Algumas boates chegavam a colocar uma piscina dentro pra fazer competição de camiseta molhada! Acho que o que sinto mais falta (fora as amizades que fiz) é a vida noturna da cidade, que é animada todos os dias da semana, até na segunda-feira.”

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4. Se você pudesse repetir um intercâmbio, qual seria: Cambridge X Vancouver X Salamanca

“Fica difícil escolher o que eu repetiria, todos foram tão diferentes, lugares totalmente diferentes, pessoas totalmente diferentes e fases da minha vida totalmente diferentes. Mas acho que escolheria repetir Salamanca, vi e vivi tanta coisa diferente, e acho que pelo fato de estar 100% sozinho me fez aproveitar mais e “apanhar” mais em algumas situações difícies que me encontrei. Pode parecer conversa fiada e drama, mas Salamanca me fez abrir muito a cabeça e enxergar o mundo diferente, conheci e convivi com pessoas muito diferentes e aprendi a me virar em situações que antes eu perderia a cabeça.”

5. Um dia que ficou para a história:

“Foram tantos kkkkk, mas um dia que com certeza ficou pra história foi quando resolvi viajar pra Bruxelas e passar um dia em Amsterdam. Peguei o ônibus pra a capital holandesa pela manhã bem cedo. Amsterdam é incrível, várias coisas legais pra ver e fazer. Tentei aproveitar o máximo que pude, visto que só tinha 1 dia na cidade, mas, querendo aproveitar até demais a liberdade holandesa (rsrs) acabei perdendo o ônibus de volta pra Bruxelas. Rodei 2 rodoviárias e nada de achar outro ônibus de volta, tive que dormir metade da noite fria na rua, e só as 4:30 da manhã me deixaram entrar pra esperar o outro ônibus dentro da estação. Fiquei irritado metade dessa noite, mas com certeza, no dia seguinte olhei pra trás e ri demais da situação.”