Segundas impressões: EUA

Ao contrário do que acontece com a maioria, o primeiro mês longe de casa foi muito bom e de fácil adaptação (ou pelo menos, até então, eu achava que sim). Tudo era novo, mágico e interessante. As regras rígidas ainda não tinham aparecido no caminho, as falsas amizades ainda usavam máscaras e a saudade ainda não parecia um problema. Mas após um mês de “encanto”, a vida me testou…

Um belo dia -começo de fevereiro- Regina George, como vou chamá-la (fazendo uma homenagem ao filme Meninas Malvadas, que foi o cenário que me senti naqueles dias), resolveu infernizar a minha vida. Por conhecer a maioria dos alunos, e por estudar lá no colégio já há algum tempo, ela resolveu não apenas não gostar de mim, mas espalhar entre os que elas gostava (isso inclui pessoas que antes me tratavam muito bem) uma imagem de uma novata que merecia sofrer bullying e não ser amiga dos seus amigos. Isso inclui parar de falar com ela, ser motivo de fofoca, ser mal olhada por Regina e seus amigos e não sentar mais com eles no almoço.

Uma coisa que todo mundo tem que saber, é que não importa aonde estiver, você pode escontrar alguém que tenha inveja da sua felicidade, das suas amizades e da sua vida. Não me considero a pessoa mais feliz do mundo, nem com milhares de amigos, muito menos com uma vida dos sonhos, mas no intercâmbio conheci uma pessoa que, apesar de passar uma imagem de vida perfeita, tinha inveja de algo que eu tinha. E até então eu não sabia o que.

No começo não entendia o porque daquilo tudo, e para alguns pode até parecer bobagem: “nossa Gika, mas você fala tão bem do seu intercâmbio, não é possível que passou por isso tudo que você diz”, e é verdade, meu intercâmbio foi muito bom mesmo, mas isso só foi possível porque eu quis, porque eu permiti. Poderia ter ficado sofrendo achando que aquele colégio se resumia a um grupinho que não gostava de mim, poderia ter pedido para voltar pra Recife, poderia ter ficado triste por meses, mas resolvi parar de tentar entender o que eu tinha feito de errado, e fazer cada minuto ali valer a pena, rodeada de pessoas que me faziam bem.

Até hoje não sei o que eu fiz pra ela, tem quem diga que foi inveja, ou que simplesmente ela não teve motivos. Mas a verdade é que eu aprendi que tem certas pessoas que se incomodam com quem tem brilho próprio, e vão fazer de tudo pra desestabilizar esse tipo de pessoa. Assumo que no auge da “confusão” pensei até mesmo em voltar. Afinal a última coisa que você espera em um intercâmbio é ser aquela pessoa odiada pelos popularezinhos. Mas com o tempo eu percebi que, apesar de não conhecer muita gente, eu tinha ao meu lado apenas pessoas boas, leves, que queriam o meu bem. E era tudo que ela queria de verdade. Esse era seu problema.

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 Então, hoje agradeço a Deus por ter colocado esse obstáculo na minha vida pra me mostrar que nem tudo são flores, que sempre vai ter alguém querendo te puxar para baixo e cabe a você decidir se quer ver apenas o lado ruim ou ir atrás da sua felicidade.

Aqui vai um resumo de um texto que recebi esses dias e que se encaixa muito nessa situação:

Um professor entrou numa sala de aula e disse para todos se prepararem para uma prova relâmpago. Todos ficaram assustados. Após serem entregues as folhas, os alunos puderam ver que se tratava de uma folha em branco com um ponto negro no meio. O professor, então, disse: -Agora escrevam um texto sobre o que estão vendo. Os alunos confusos começaram a difícil tafera. Terminado o tempo, o professor recolheu as folhas, colocou-se em frente a turma e começou a ler as redações em voz alta. Todos os alunos tentaram dar explicações por sua presença no centro da folha. Após ler todas, ele disse: -Esse teste não será para nota, apenas serve de lição, ninguém falou sobre a folha em branco, todos centralizaram suas atenções no ponto negro. Assim acontece em nossas vidas, temos uma folha em branco inteira para observar, aproveitar… Mas sempre centralizamos nos pontos negros. A vida é um presente de Deus, dado a cada um de nós com extremo carinho e cuidado. Temos motivos para comemorar sempre: os amigos que se fazem presentes, o emprego que nos da sustento, os milagres que diariamente presenciamos. No entanto, insistimos em olhar apenas para o ponto negro. O problema de saúde que nos preocupa, a falta de dinheiro, o relacionamento difícil com um familiar, a decepção com as pessoas. Os pontos negros são mínimos, comparando com tudo aquilo que recebemos diariamente. Creia que o choro pode durar até o anoitecer, mas a alegria logo vem no amanhecer.” 

Achei importante falar sobre as segundas impressões com vocês, porque tudo na vida tem seu lado bom e ruim. Se tudo estiver sempre maravilhoso, desconfie. Todo mundo tem problemas, mas você pode escolher se quer focar no ponto preto ou no restante da folha. E a mesma coisa serve pro intercâmbio. Já ouvi muitas histórias de pessoas falando que vão para o intercâmbio para esquecer um ex namorado, fugir de um problema familiar ou até mesmo fugir de problemas na escola. Mas não percebem que problemas vamos ter em qualquer lugar do mundo. Os problemas estão dentro da nossa cabeça, e se não nos livrarmos de toda energia ruim que nos cerca, ela vai conosco para aonde nós formos. Então quando decidir ir para um intercâmbio, saiba que vão ter momentos difíceis, vão ter situações que vocês não vão saber lidar de primeira, e até mesmo situações que nem a que eu passei. Vai caber a vocês, olhar para o ponto preto e não deixar que ele seja o centro das atenções. Vai caber a vocês olhar para tudo de bom que Deus te oferece e fazer valer a pena cada minuto da sua vida. E posso te garantir que, escolher o lado bom das coisas, escolher sua felicidade é uma das coisas mais valiosas que poderemos levar na bagagem da vida.

Até a próxima!

 

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O que levar para a host family?

Malas prontas. Documentos devidamente guardados. Tudo perfeitamente pronto para partir. E aí, você mais uma vez reformula na sua cabeça como vai ser quando conhecer a host family:

“Ah, eles vão ser bem legais. Vão se apresentar, e logo após, se oferecer para pegar minhas malas. Oferecerão água e algo para comer. Também vão perguntar como foi o voo e se estou sentindo o fuso horário. Aí eu vou me acomodar no quarto, abrir as malas e… EITA! As lembrancinhas, era isso que faltava!

O que levar? Será que vão gostar? Mas eu nem sei se eles gostam de usar esse tipo de camisa, ou esse tipo de sandália! Será que eles comem doce? Bebem bebida alcoolica? Mas se não gostarem de nada que eu levar?

Dilema de todo intercâmbista.

Eu, assim como todos os outros, recebi uma cartinha/email falando sobre minha host family. A idade de cada um, a área de trabalho dos meus pais, os hobbies dos meus irmãos. Enfim, assumo que mesmo com aquilo em mãos me senti perdida na hora de escolher o que levar, afinal, queria causar uma boa impressão. Depois de muito conversar com intercâmbistas e com a minha família, decidi levar para meus dois irmãozinhos (8 e 5 anos) uma bola de futebol e um quebra cabeça do Romero Britto, para minha irmãzinha (10 anos) duas meias da Pucket (clica aqui), já que lá faz bastante frio e eles costumam andar de meia em casa. Para minha host mom levei um jogo americano com tema tropical (arara azul, coqueiros e afins), e para meu host father levei um livro em inglês sobre o Brasil (um achado!).

Mas, para facilitar a vida de vocês, principalmente se você deixou isso para última hora, aqui vai uma listinha com coisas que acho legal para levar para a host family:

  1. Doces/chocolates típicos: bolo de rolo, sonho de valsa e bis.
  2.  Cachaça: Santa dose e Pitu.
    Ao contrário do que muitos pensam, os gringos são loucos (ou pelo menos desejam provar) a tão falada cachaça! Afinal, é uma das primeiras coisas que eles relacionam quando conhecem algum brasileiro… Nada mal levar e preparar uma boa caipirinha para impressionar a família.
    -Hey, where are you from?
    -Brazil
    -Brazil?! Beautiful girls, Neeeeymar, futebol, caipirinha, hot beaches!
    QUEM NUNCA?
    Cachaça-Brasileiras
  3.  Camiseta e havaianas com a estampa do Brasil:

     

  4. Livros sobre o Brasil:
    Comprei na livraria do aeroporto por sorte! Mas já dei uma procurada e achei algumas opções na Saraiva (clica aqui), mas também devem ter várias opções no Amazon, então não deixa de dar um olhadinha na hora de procurar um com valor acessível.
  5. Pulseirinhas de praia: estava um dia na Pracinha de Boa Viagem (Recife-PE) com minhas amigas, eis que vejo várias pulseirinhas. Tinha com a bandeira do Brasil (como a da foto), com o nome BRASIL e com o nome RECIFE. No intercâmbio da Flórida era o que mais tinha: brasileiros usando alguns modelos dessas pulseiras e professores que ganharam usando de enfeite para a sala de aula. Era uma das coisas que eu queria ter levado e acabei não encontrando pra vender.pulseira-com-a-bandeira-do-brasil.jpg

Espero que tenham gostado! Se tiverem mais alguma dica, me mandem por email ou comentem aqui embaixo, porque se aparecerem mais ideias legais eu posso fazer outro post sobre isso.

Beijos e até a próxima!

Terra do Tio Sam X Terra da Rainha

Olá pessoal, 3 semanas atrás saiu o post que eu escrevi para o blog de Marina Motta (clica aqui para ler mais sobre seu livro). Era uma coisa que eu queria compartilhar com vocês também, e algo que muita gente me pergunta: quais são as diferenças entre morar nos EUA e na Inglaterra.

Um ponto que vale destacar é que há uma diferença enorme entre morar em lugar (mesmo que por 4/5 meses) e apenas visitá-lo. Primeiro porque quando você visita um lugar, não necessariamente vê de perto o que é o dia a dia de quem mora naquele local. Vai a pontos turísticos, restaurantes conhecidos e bem conceituados, pega táxi e tá com o dindin que juntou no bolso, pronto para gastar.

Quando você vai preparado para morar em lugar, a realidade é bem diferente. Você também vai a pontos turísticos, talvez coma em restaurantes conhecidos e bem conceituados, e até mesmo pegue um táxi, mas também vai conhecer alguém nativo que vai te levar a uma cafeteria que você nunca ouviu falar, vai descobrir com alguns amigos um barzinho atrás de uma loja, vai andar tanto naquelas ruas a ponto de conseguir dizer para aquele seu amigo que te ligou meio perdido no meio da noite o caminho para o ponto de ônibus mais próximo, até mesmo vai aprender gírias e se adaptar aos costumes daqueles que nasceram lá. É uma coisa meio louca, em pouquíssimo tempo você se sente parte daquele lugar. E mesmo quando você conhece alguma cidade em uma viagem, e pensa que aquele é o seu lugar (tipo quando eu fui a Disneyland pela primeira vez), você nunca vai saber como é se sentir -mesmo- parte daquele local, até tê-lo na rotina, até tê-lo como casa.

Aí está o repost das diferenças entre morar em Coral Springs e Oxford. Tudo levando em consideração o que eu conheci dos dois lugares pelos olhos de quem mora lá, e não apenas pelos olhos de um turista. Espero que gostem! E Marina, mais uma vez obrigada pela oportunidade!

##### REPOST!

Fonte: #PapoViajante: Oh Dúvida Cruel – High School nos EUA ou Inglaterra? TOP 7 Prós e Contras

“”Olá viajantes!

Tudo bom?

Quanto o assunto é intercâmbio para aperfeiçoamento da língua inglesa a primeira pergunta é: Qual o destino escolher! Entre os mais populares, no topo da lista sempre estão a Terra do Tio Sam e a Terra da Rainha.Entre os argumentos de quem prefere Inglaterra temos berço da língua inglesa, localização no centro da Europa….Já para os EUA, temos entretenimento, compras.

E como essa dúvida está sempre presente especificamente quando falamos de High School (Colegial no Exterior), para ajudar nessa árdua escolha, convidei a Giovana (ou, para os amigos Gika!) uma cliente muito querida do STB Recife que tomou uma decisão bem inteligente quando difiniu seus planos de High School. ao invés de fazer 1 ano acadêmico em um só país, ela optou por ter uma vivência em ambos e, assim, fazer um semestre nos EUA e depois um semestre na Inglaterra. Perfeito né?

Por isso, ninguém melhor do que ela para falar sobre as diferenças entre os programas de High School que ela vivenciou nestes dois países, então, como a palavra,  Gika:

“Nesse post vou falar do que conheci dos Estados Unidos e da Inglaterra como intercambista, e não como turista. Tem uma diferença enorme entre morar em um lugar, e apenas visitá-lo. Como morei em dormitório nos EUA e em casa de família na Inglaterra, resultou em uma diferença ainda maior no que eu pude conhecer dos dois lugares. Já que, na Flórida eu vivia sob regras do colégio no quesito de ter liberdade para sair e viajar, ao contrário de Oxford.

Cada lugar tem seus prós e contras. Quando levados em consideração, então, podemos ver quais os prós que disfarçam os contras, de acordo com nossas preferências. Sempre achei que os Estados Unidos fazia mais meu estilo; devido ao clima, Disney, compras e afins, mas soube que estava errada quando coloquei os pés no continente Europeu pela primeira vez, em 2009. Havia algo lá que combinava muito mais comigo, e até então, eu não sabia dizer muito bem o que.

1. Cultura

Coral Springs(Flórida) pude perceber que se trata de uma cidade não muito histórica, nada de museus, prédios antigos ou coisa do tipo. Pelo contrário, é tudo bastante novo, casas bem conservadas com terraços verdes e seus jardins bem cuidados, e crianças constantemente apareciam brincando em frente as suas casas. Diferentemente desse estilo de vida e cidade, Oxford me fez parecer como se eu estivesse num livro de história. Museus com entradas gratuitas, parques, estudantes andando pela cidade com suas bicicletas geram uma grande influência, para quem visita ou mora na cidade, em seguir esse estilo de vida. O que me impressionou bastante é que o público do museu vai de excursões de escolas à pessoas mais velhas. As faculdades, que mais me pareceram castelos, são antigas, porém muito bem conservadas e a grande maioria abre suas portas nos Open days (um dia aberto para visitantes conhecerem o campus). Sem contar que, assim como os museus, a entrada é gratuita (no máximo, pedem para você fazer uma doação de qualquer quantia), o que estimula e ajuda os jovens adultos a escolherem ou almejarem entrar em certa
faculdade. E isso é uma coisa que eu admiro bastante na Inglaterra. Os jovens são muito motivados a buscarem aprender mais do lugar de onde vivem, podendo ir a museus e ver de perto, por exemplo, uma certa obra de arte que estão estudando no colégio. Como diria minha mãe, torna tudo bem mais “real”.

2. “Só mais 5 minutinhos!” – Clima

Não poderia deixar de mencionar a diferença entre o clima dos dois lugares. É do ser humano nunca estar satisfeito, se tem praia, quer neve; se tem inverno, quer verão. Minha temporada na Inglaterra começou no início do outono (minha estação preferida) e pegou um pouquinho do inverno, então o tempo estava relativamente frio. Para quem veio de um lugar com temperaturas médias
de 30 graus, pegar 10 graus –ou menos, queria enfatizar isso- pela manhã e ter que ir andando pro colégio não era nada emocionante, ao menos era o que eu achava até voltar pro Brasil. Afinal, quem já morou em lugar frio, sabe o que é lutar por 5 minutinhos a mais debaixo das cobertas antes de se levantar para ir ao colégio. Por causa do tempo frio e imprevisível, era
raro ver crianças brincando nas ruas de Oxford, ao contrário dos EUA, já que eu fui no verão ensolarado da Flórida. No quesito tempo, não tem como negar que os Estados Unidos me ganhou com seus dias quentes e, nos finais de semana, acompanhados de praia.

3. Cinema X Teatro

Os EUA é mundialmente conhecido pela sua produção de filmes, já a Inglaterra, assim como boa parte da Europa, é conhecida pelas suas peças teatrais (não que os EUA também não seja). Mas diferentemente da Inglaterra, onde assisti à peças; entre
elas Once e Mamma Mia, na Flórida costumava ir assistir filmes com meus amigos. Senti a diferença, pois nos EUA a programação certa do final de semana era a ida ao cinema, e mesmo tendo frequentado algumas vezes em Oxford também, percebi que ir ao teatro fazia mais o estilo dos britânicos. 

4. “Só vou provar, afinal, não sei quando vou ter a oportunidade de comer isso de novo” – Comida

Uma coisa inadimissível na Inglaterra é estragar comida, coisa que todo intercambista devia saber antes de ir pra lá: coloque no prato apenas aquilo que realmente vai comer. Já na Flórida, é tudo bastante farto. É normal pedir um prato individual no restaurante e conseguir dividir com uma pessoa ou até mesmo duas. Sem falar nas redes de Fast Food dos EUA, onde se tem mil e uma opções para comer hot-dog, hambúrguer com batata frita e tomar milkshake. Na Inglaterra, o típico Fast Food é o prato queridinho dos britânicos: Fish & Chips, que se trata de um peixe empanado acompanhado de batata frita. No geral acho a comida dos Estados Unidos mais saborosa, porém mais gordurosa.

 

5. “Quem converte não se diverte” – Consumismo

Frase bastante conhecida pelos intercambistas, afinal, quem é que nunca deixou de converter, seja por esquecimento ou por falta de vontade de encarar a realidade? Sem dúvida, na Flórida as pessoas me pareceram bem mais consumistas, seja pelos shoppings/outlets com muitos “leve 3, pague 2″ como pelas mais variadas opções. Na Inglaterra, os shoppings centers se encontram em “cidades grandes”, já nas pequenas é mais comum se ter algumas galerias, que muitas vezes são consideradas shoppings pelos nativos, e lojas espalhadas pelas ruas. Sem falar que, para nós brasileiros, na maioria das vezes não vale a pena pagar por certos produtos devido ao valor da libra. Então no quesito consumismo, segura o cartão se seu destino for EUA! 

6. Pessoas

O colégio em que estudei na Flórida era muito grande, e talvez seja por isso que tinha tantos “grupinhos”, o que de certo modo me permitia ver tudo de longe: as fofocas, a falsidade e afins. Muitas vezes, os americanos me pareceram infantis em alguns aspectos, portanto, me juntei a 3 brasileiras e algumas intercâmbistas do meu dormitório e fiz o meu grupo, que tinha lá suas fofocas e confusões, mas sempre foi muito unido, tanto que mantenho contato com a maioria até hoje. Já na Inglaterra, estudei em colégio com alunos internacionais, sem nenhum britânico pra contar história. Conheci alguns no meio da rua, entre uma festa e uma Mc Donalds pós festa, ou entre uma parada de ônibus e uma informação de quem estava perdidinha. E quero saber: quem foique disse que os britânicos são chatos? Talvez mais reservados, mas acho errado eles terem essa fama por aí. Bart, meu host father, era britânico e muito envergonhado, mas bastante atencioso, sempre puxava uma conversa na hora do jantar. Amy, minha host grandmother e também britânica, falava pelos cotovelos! Ambos me deixaram uma boa impressão sobre os britânicos, sem falar de alguns dos meus professores. 

7. Transporte público

Na Flórida, como já disse antes, morei em dormitório, o que me impedia de simplesmente sair e pegar um ônibus/metrô/trem. Ia para o colégio naqueles ônibus amarelos (bem filme), e se precisasse sair para algum lugar, a minha Dorm Parent me
levava no carro do dormitório. Já na Inglaterra, eu ia para o colégio a pé, pegava ônibus para ir para o City Centre, metrô ou ônibus para viajar e também tinha a opção de pegar um trem. Perdi as contas de quantas vezes perdi um ônibus, ou peguei o errado, até mesmo quantas vezes me distrai e tive que sair na parada seguinte. Acredito que foi importante ter um pouco da minha liberdade “perdida” nos EUA para dar valor a pequenas coisas, como pegar um ônibus, na Inglaterra. Sem falar que é uma realidade bem diferente da minha vida em Recife, o que acredito ser um dos principais fatores que me fazem achar essa experiência tão cativante e renovadora. A liberdade, a segurança e a praticidade de poder usar um transporte público sem ter medo de que aconteça alguma coisa. 

Para finalizar, as duas experiências foram incríveis. Uma sem a outra não faria tanto sentido, e não me faria ter crescido tanto interiormente. Morar nos EUA foi ao mesmo tempo intrigante e esclarecedor. Intrigante por viver sob muitas regras do colégio, que me tiravam do sério as vezes, por eu ter me iludido em relação a várias amizades que julguei serem verdadeiras, por ter
vivenciado fofoquinhas que eu só via em filmes de high school americano e tudo mais. Esclarecedor porque esses limites que me foram impostos me fizeram crescer muito mais do que em qualquer outro intercâmbio. Por isso repito que não seria a mesma coisa na Inglaterra se eu ainda não tivesse aprendido tudo que aprendi nos EUA. Morar na Inglaterra foi uma aventura e confirmação. Confirmação de tudo que aprendi na Flórida em relação aos amigos, família, colégio e sobre a vida no geral. E aventura por tudo novo que aprendi me virando sozinha pela cidade, ou em viagens com amigos, conversas com minha host family (que foi uma aventura só pelo fato de ter vivido lá. Quem diria que meus pais deixariam eu morar em outra casa, com outra família. E que eu seria tão bem recebida, a ponto de me sentir parte da família). Então, seja lá qual for o seu destino, faça seu intercâmbio valer a pena: se perca, viaje, faça amigos, cresça e viva cada segundo como se fosse o último. Giovana Brito”

E aí gostaram? Eu adorei! Nas minhas andanças como intercambista, fiz dois intercâmbios na Inglaterra e dois intercâmbios nos EUA e gosto muito dos dois países(no entanto confesso que assim como Gika tenho uma “quedinha” pela Inglaterra) porém, isso definitivamente não é uma regra, sempre terão pessoas que preferem os EUA e outras que realmente vão preferir a Inglaterra. O bom mesmo é que indepedente do destino, uma certeza: você sempre volta diferente e melhor de cada viagem!  Aproveitando, para acompanhar as andanças da Gika muito afora, recomendo demais também acompanhar o blog dela: www.blogthenextstop.wordpress.com

Bjs e até a próxima viagem!

Marina.””

No BUS STOP com: João Barbosa

IMG_9737 João Barbosa, nasceu dia 5 de agosto de 1997, mora em Recife e cursa administração.

Conheci o João quando ainda éramos pequenos, eu devia ter uns 4 ou 5 anos. E estudávamos juntos desde então até que ele passou no vestibular da faculdade que queria e foi viver sua vida de universitário.

Temos muitas coisas em comum. E entre elas, o amor por viajar! Entre uma conversa e outra, compartilhamos histórias dos intercâmbios, posts aleatórios sobre viagens no facebook, e até mesmo planos de fazer trabalhos voluntários mundo afora. Além disso, temos em comum também o fato de que começamos a andar com nossas próprias pernas ainda bem cedo; ele com 13, e eu com 15. Ambos tendo a Inglaterra, mais especificamente Cambridge, como destino. E João não parou por aí, ainda tem na bagagem intercâmbios em outros dois lugares: Vancouver e Salamanca. Histórias para contar é o que não falta!

1. Com quantos anos você começou sua vida como intercambista? Qual lugar escolheu e porque?

“Então, comecei minha vida de intercambista quando tinha 13 anos. Pra minha família foi complicado porque eu era muito novo, mas com um pouco de insistência acabou funcionando e levei junto comigo 2 amigos de Recife.  Fiz um curso de férias de 1 mês em Cambridge, na Inglaterra, que no final passava uma semana em Paris. Ficávamos hospedados na própria escola, em quartos de 4 pessoas.

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Escolhi Cambridge por vários motivos, entre eles o fato de gostar muito da Inglaterra, da curiosidade de conhecer uma cidade universitária e famosa por seus alunos e antigos moradores (Isaac Newton e Darwin), e de oferecer um curso de férias que me pareceu interessante, animado e onde eu poderia aperfeiçoar meu inglês. Antes de embarcar eu estava bem nervoso, nunca tinha passado tanto tempo longe da minha família e ainda mais fora do Brasil, mas como eu gosto de viajar lá fui eu. A experiência foi a melhor possível, preservo os grandes amigos que fiz, conheci vários lugares interessantes, abri minha mente pra o mundo, melhorei (e muito!) meu inglês e aprendi a me virar sozinho diante dos obstáculos que inevitavelmente surgem.”

2. O que mais valeu a pena no intercâmbio para o Canadá?

“Com 15 anos, no ensino médio, resolvi junto com a minha família que passaria 5 meses fazendo um programa de High School no Canadá. Fui pra Vancouver, na costa oeste, uma cidade moderna, grande e MUITO cosmopolita. Escolhi Vancouver por falar apenas inglês (e não francês, como outras cidades do Canadá), por ser segura e bem estruturada, e por não fazer tanto frio como cidades da costa leste (Montreal e Toronto). Fiquei em uma casa de família, que me acolheu super bem. O Canadá superou minhas expectativas, tudo funciona, todos os tipos de gente e de todas as partes do mundo convivem em harmonia e as cidades são totalmente conectadas com a natureza, vários parques, estações de ski, praias e etc.

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Como já era um pouco mais velho pude aproveitar a experiência de um jeito diferente, agora eu estava mais livre e pude fazer algumas viagens sozinho  (Whistler, Rocky Mountains). A saudade era grande da família, mas a vontade de ficar era maior. O Canadá me ensinou muita coisa e me fez crescer bastante como pessoa, tinha que me virar sozinho 100% do tempo, e a experiência foi inesquecível, fiz amigos do mundo todo que mantenho contato até hoje.”

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3. Salamanca, a cidade dourada.

  • Custo de vida: “Morei por 3 meses em Salamanca, aos 18 anos, fazendo um curso de espanhol. A cidade me surpreendeu muito, a quantidade de jovens estudantes e a beleza da cidade foram as coisas que  mais me chamaram a atenção. O custo de vida na cidade é relativamente baixo, visto que não é uma cidade grande e cara como Madrid e Barcelona. Comida no geral é com certeza mais barato do que no Brasil, porém a diversidade não é a mesma.”

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  • Vida noturna: “A vida noturna da cidade é mais do que animada, as ruas ficam lotadas de pessoas, com vários bares e boates espalhados por toda a cidade (os melhores ficam no centro, perto da Plaza Mayor). O preço da vida noturna é extremamente barato, não precisa pagar para entrar em boates e bares, e as bebidas no geral são muito baratas, um chupito (como são chamados os shots) giram em torno de 0,50 euros. Todas as quartas um bar famoso fazia uma festa OpenBar por apenas 4, repito, 4 EUROS! Algumas boates chegavam a colocar uma piscina dentro pra fazer competição de camiseta molhada! Acho que o que sinto mais falta (fora as amizades que fiz) é a vida noturna da cidade, que é animada todos os dias da semana, até na segunda-feira.”

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4. Se você pudesse repetir um intercâmbio, qual seria: Cambridge X Vancouver X Salamanca

“Fica difícil escolher o que eu repetiria, todos foram tão diferentes, lugares totalmente diferentes, pessoas totalmente diferentes e fases da minha vida totalmente diferentes. Mas acho que escolheria repetir Salamanca, vi e vivi tanta coisa diferente, e acho que pelo fato de estar 100% sozinho me fez aproveitar mais e “apanhar” mais em algumas situações difícies que me encontrei. Pode parecer conversa fiada e drama, mas Salamanca me fez abrir muito a cabeça e enxergar o mundo diferente, conheci e convivi com pessoas muito diferentes e aprendi a me virar em situações que antes eu perderia a cabeça.”

5. Um dia que ficou para a história:

“Foram tantos kkkkk, mas um dia que com certeza ficou pra história foi quando resolvi viajar pra Bruxelas e passar um dia em Amsterdam. Peguei o ônibus pra a capital holandesa pela manhã bem cedo. Amsterdam é incrível, várias coisas legais pra ver e fazer. Tentei aproveitar o máximo que pude, visto que só tinha 1 dia na cidade, mas, querendo aproveitar até demais a liberdade holandesa (rsrs) acabei perdendo o ônibus de volta pra Bruxelas. Rodei 2 rodoviárias e nada de achar outro ônibus de volta, tive que dormir metade da noite fria na rua, e só as 4:30 da manhã me deixaram entrar pra esperar o outro ônibus dentro da estação. Fiquei irritado metade dessa noite, mas com certeza, no dia seguinte olhei pra trás e ri demais da situação.”

Livro do mês: Intercâmbio na Era Digital

Para inaugurar a tag Livro do mês ninguém melhor do que Marina Motta, a quem eu devo todo meu agradecimento pela inspiração quando o assunto é intercâmbio e viagens. Na bagagem, a autora dos livros Intercâmbio de A a Z e do mais novo lançamento Intercâmbio na Era Digital, traz consigo 11 intercâmbios e viagens a mais de 40 países diferentes! Morou em diversas cidades, como: Bournemouth, Riverside, Sydney, La Rochelle, Paris, Vancouver, Toronto, Colônia e Orlando. Vivendo, assim, as mais diferentes experiências. Seus livros contam com relatos entusiasmados e muito originais sobre suas viagens e por isso garanto que vai muito além de um simples guia.

Marina, que começou sua vida como intercambista aos 14 anos, nos deu uma verdadeira mão na roda quando resolveu colocar em um livro todas as informações necessárias para viajar. O pré-intercâmbio, que vai desde o que levar na mala até a ansiedade que antecede a viagem. O pós-intercâmbio, com direito a um capítulo -um dos meus preferidos- detalhado sobre a tão falada síndrome do regresso. É impossível ler e não se pegar pensando “isso também aconteceu comigo”. Sem falar nos capítulos onde ela da informações sobre cursos para as mais diferentes faixas etárias, liberdade e segurança, dormitórios e casas de família, amores de intercâmbio, como conviver com pessoas de outras culturas, bolsas de estudo, visto e muitas outras coisas. É o tipo de livro que todo intercambista tem que ler antes de embarcar na sua próxima aventura, e que todos os outros tipos de viajantes deveriam ler para agregar informações na bagagem.

Confira também esse vídeo onde ela conta um pouco sobre o seu mais  novo lançamento: Intercâmbio na Era Digital.

Com uma escrita que faz o leitor se aproximar da autora, o livro torna-se algo instigante e ao mesmo tempo leve de ler, apesar das suas 200 e pouquinhas páginas. Fazendo você viajar a lugares de A a Z e se identificar com relatos bastantes atuais que englobam a geração “selfie”(principalmente no livro novo, já que o mesmo foi elaborado pensando nela). Abordando privilégios que a nossa geração usufrui, como o de matar as saudades da família e amigos via Skype, Facebook, Instagram, Whatsapp. E além disso, abordando também como lidar com os malefícios trazidos por essa nova era que está sempre com o status online. Eu, como leitora, garanto que ambos os livros não deixam a desejar.

Clique aqui para comprar o livro Intercâmbio de A a Z e aqui para comprar o livro Intercâmbio na Era Digital.

Boa leitura e boa viagem!